terça-feira, 17 de outubro de 2017

A leveza que habita




Naquele domingo ela fazia 63 anos. E estava muito mais leve do que há 20 anos atrás. Dava para sentir pela seu sorriso de menina e pelo seu olhar curioso pela vida. Nunca escondeu os números dos seus anos vividos como também não  escondeu os sinais do tempo no seu rosto repleto de histórias. 
Ela já andou muito. Com o tempo aprendeu a diminuir o peso das bagagens. À medida que andou pelo mundo, deixou um pouco si. Espalhou amizade e colheu grandes amigos. E sobretudo, colheu sabedoria em cada lugar que pisou. 
Ela não espera dos filhos mais do eles podem dar. Nem dos filhos, nem do marido, nem de ninguém. Ela não vigiou o celular para saber quem ia ligar no seu aniversário, muito menos a rede social para saber quem a cumprimentou. Ele estava ocupada demais com os presentes. Retifico, com as pessoas e com os momentos presentes. 
Ela estava ocupada demais saboreando o bolo que ganhou da amiga, os abraços dos filhos, as risadas daqueles que estavam do seu lado. Não eram muitos, mas eram o bastante para fazê-la feliz. 
A esta altura da vida ela já sabe que os problemas vão e vem. Já sabe também que as grandes lições serão aprendidas de um jeito ou de outro,  independente dela. A esta altura, eu não tenho dúvidas de que ela já enfrentou um leão na jaula. 
Ela sabe que não vale a pena querer manter as pessoas ao seu redor e nem no seu devido lugar, porque na vida nada tem lugar marcado. 
Ela hoje é uma mulher madura! Forte, resolvida e preparada. Contudo nunca deixou de ser  menina, mãe, mulher, amiga, amante, guerreira, filha, frágil e sensível. Faz parte da natureza dela ser tudo isso! A grande arte é que ela sabe a hora certa de ser cada uma dessas mulheres. E faz isso tão naturalmente que nos surpreende. 
Hoje tudo que ela quer é viver! Usufruir da vida como se saboreia uma fruta bem madura, no ponto! 
Não tenho muito o que dizer a ela. Apenas admiro silenciosamente essa mulher que, sem dizer uma só palavra, me diz tantas coisas que eu ainda não sei. Não há como ser leve sem ser livre! 
E a vida segue nos dando as maiores e mais belas  lições... 

Leila Rodrigues

Imagem: foto da protagonista deste texto. Abaixo, capa e contracapa da revista Xeque Mate
Publicado na Revista Xeque Mate e no JC Arcos




Olá pessoal,

o texto acima é real. Tive a honra de acompanhar esta amiga no dia do seu aniversário e considero que a presenteada fui eu.
Amiga querida, uma honra ter participado deste dia especial com você. Para você saúde, paz no coração e alegria de viver!
Ao amigo Giovani Lima - Revista Xeque Mate, mais uma vez obrigada pela oportunidade. Escrever para a sua revista é um prazer para mim.
Para vocês caros leitores do Palavras o meu muito obrigada pelo carinho e a atenção de vocês. O Palavras tem tido cada dia mais leitores e leitoras. Uma grande alegria! Valeu! 
É por vocês que eu escrevo. 

Grade abraço

Leila Rodrigues


domingo, 15 de outubro de 2017

Ao mestre



Eu tinha pressa. A ideia era assistir à apresentação do meu filho e sair. Não por não me interessar pelas outras apresentações, mas porque eu realmente tinha compromisso. E nada do evento começar. Só chegava gente! Turmas e mais turmas de alunos, vindos de várias escolas lotavam o ginásio. Lembrei de mim. Lembrei dos meus treze anos e do quanto nesta idade as "turmas" são importantes. Eles cantavam, dançavam e em uma manobra dificílima conseguiam colocar 20, 30 pessoas em uma só foto. A selfie era motivo de farra! 
Eu acompanhava quieta do meu canto. Gosto disso! Gosto de ver as pessoas vivendo os bons momentos como se tivessem saboreando uma deliciosa fruta. A Banda da Polícia Militar fez bonito. Tocou para eles, musicas deles. E a meninada foi ao delírio. Lindo de se ver! 
Meu filho era apenas um no meio de centenas de crianças que se formavam no PROERD, Programa Educacional de Resistência às Drogas. Um projeto que ensinou muito mais do que se pode imaginar. Um projeto que educa de verdade crianças e famílias. Que prepara nossos filhos para dizerem não. Que mostra como as escolhas erradas podem mudar para sempre nossos destinos.
O evento seguia bonito e cada escola se apresentava para os demais. Não dava para sair. Fui tomada pela energia dos estudantes e fiquei um pouco mais.
Quando realmente não pude mais ficar, me preparei para atravessar a multidão de gente. No meio da quadra uma professora sambava abraçada aos seus alunos. E quando um aluno pensava em ter vergonha de estar ali, ele olhava para ela que ditava os passos e ao mesmo tempo sorria para eles e seguia a dança. E diante daquela multidão de gente, aquela mulher vibrava por eles a cada passo a cada segundo de conquista. 
Lembrei da minha professora segurando a minha mão quando eu tinha vergonha de me apresentar. Lembrei de mim dando aula na escola da Vila Boa Vista e dançando junto com os meus alunos. Lembrei dos meus mestres e do quanto foram importantes para mim. Não consegui conter as lágrimas. Chorei. Ser mestre é isto! É devolver a auto-estima estraçalhada pelas circunstâncias. É estar ali do lado, presente, firme, não importa a plateia, não importa o resto. 
Essas palavras são para vocês, mestres brasileiros, que doam suas vidas na função de educar. Para vocês que muito além de ensinar, estimulam nas pessoas o gosto pela vida. Neste país que ainda não aprendeu a valorizar seus mestres, deixo aqui a minha reverência, o meu respeito, a minha eterna gratidão e todo o meu amor por vocês! 

Leila Rodrigues

Imagem do filme Sociedade dos Poetas Mortos


Olá pessoal,

Talvez eu seja uma pessoa fora do padrão, mas sempre fui e continuo a ser uma pessoa apaixonada pela escola, adoro estudar, adoro estar em uma sala de aula, seja como aluna, seja como professora. Magistério é a minha primeira formação e a minha base para tudo que faço. jamais esquecerei das aulas de didática da querida Dona Sonia que me ensinou muito mais que a apostila propunha. 
Também não poderia deixar de falar das minhas primeiras professoras do Grupo Abílio Neves em Campo Belo. O primário é tão importante em nossas vidas que essas professoras se tornam parte de nossas vidas. Dona Benedita e Dona Neusa, vocês são inesquecíveis para mim!
A todos vocês meus colegas de formação e profissionais do ensino, um grande abraço. Que este país um dia aprenda a valorizá-los como merecem!
Grande abraço


Leila Rodrigues

domingo, 8 de outubro de 2017

Quem sabe ainda sou uma garotinha?


Que ninguém tente nos definir depois dos 40, pois vai se dar mal. Depois dos 40, somos o resultado das nossas lutas, das nossas experiências, noves fora as desavenças e multiplicado pela resiliência a cada tombo. A esta altura eu tenho certeza de que você não está mais pre-ocupada nem ocupada com o pensam de você. A esta altura, você já enfrentou um leão na jaula. 
Agora sim, você poder trazer à tona a menina de olhos brilhantes que queria ser bailarina mas dançou mesmo foi nos idos anos 80 na boate da sua cidadezinha ( no meu caso o saudoso Tio Patinhas). 
Você pode trazer de volta a doce menina de mochila nas costas que queria ser Lidia Brondi ou cantar como a Paula Toller, mas se contentou em ser ela mesma depois que descobriu que este era o seu melhor papel. E o fez com maestria, transformando o pouco que tinha em algo muito além da paisagem. E olha que ela não usou os quadris para isso, nem o namorado lindo que as outras invejavam. Ela acordou cedo, pegou a estrada, enfrentou a chuva e soube esperar a hora certa de ver o sol se por às margens do rio Guaiba sob o som de Cleiton e Kledir. Você poderia trazer de volta qualquer uma delas embora isso agora não faça a menor diferença. Todas elas foram o que foram e isso foi o melhor. Hoje elas são história. História de uma mulher que foi feliz nos seus tempos, em cada um deles. 
Ela foi feliz aos 20 cantando com Djavan, aos 30 embalando suas crias e estudando para as provas, aos 40 aprendendo inglês e se desdobrando para dar conta do trio filhos, trabalho e estudo e ainda ontem eu a vi feliz da vida ao embarcar para MatchuPitchu com o melhor amigo. Ela descobriu que o grande segredo dos propósitos é ser feliz durante a caminhada. Sem vislumbre, sem ilusão. É uma felicidade tranquila, quase silenciosa, resultado do encantamento pela vida. Aquele “Feliz por nada” que Marta Medeiros escreve com maestria. Hoje ela não quer mais mudar o mundo, está ocupada demais mudando a si mesma. E isso dá um trabalho danado!
Os problemas continuam indo e vindo. As pessoas também. Mas hoje ela sabe que não vale a pena segurar ninguém. As pessoas saberão o caminho de volta. E se não voltarem é porque nunca estiveram com ela de fato. Será que ela aprendeu a amar? Pode ser! Prefiro dizer que ela aprendeu a viver! Viver e deixar que a vida aconteça no seu fluxo natural. Ela apenas segue vivendo e achando a vida melhor hoje do que a 20 anos atrás. 
Ela não se envergonha nem se engrandece com nenhum fato da sua história. Apenas segue, com a certeza de que hoje ela sabe algo que as outras ainda não sabem, mas elas vão chegar lá! Algo que não está implícito, que só os anos de salto, sangramento e escova no cabelo podem explicar. Pensando bem, Kassia Eller  estava certa, quem  sabe ainda sou uma garotinha? 


Leila Rodrigues

Imagem da Internet
Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos


Olá pessoal,


Idas e vindas, a vida é isso. Um eterno ir e vir de algum lugar. Ainda ontem eu estava em São Paulo e amanhã mesmo estarei em algum outro lugar. É preciso ir, é preciso voltar, é preciso viver! Viver e deixar que a vida aconteça. Simples assim. 
Não importa se o seu ir e vir é até Nova York, ou se é da cozinha para o quarto. O importante é dar os seus passos. Nada mais!
Sobre o texto, gosto de relembrar a minha juventude, embora não me prenda a ela. Somos os resultado da nossa história, mas a história que vamos contar amanhã, depende do que fazemos hoje, agora, no único instante que temos, o presente.

Grande abraço



Leila Rodrigues

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Pra correr o risco



Ontem  eu vivi uma grande alegria. E tentei descrever esse momento no papel. Muito difícil! Para minha surpresa não consegui encontrar nenhuma palavra que pudesse traduzir o que eu sentia. Percebi então que as emoções funcionam em outro campo, em outra dimensão talvez. É praticamente impossível traduzir, na íntegra, uma emoção, seja esta boa ou ruim. 
Nenhuma palavra é capaz de transcrever a alegria de uma mãe ao dar a luz, tamanha a emoção do momento. Como também nenhuma palavra é capaz de traduzir a dor da mãe que perde um filho. No território das emoções não existe meio termo, tudo é intenso, latente e pulsante. 
Não existe meio amor, nem pouca paixão. Ou você ama ou não ama. Assim como não existe pouca raiva, nem pouco ciúme. O campo da emoção é único e cada um vai vivê-lo à sua maneira. Cada um vai sentir e consequentemente agir e reagir do seu jeito. Nenhuma emoção é igual à outra, nenhuma se explica, nenhuma se pode copiar. Você pode ficar compadecido da minha emoção mas jamais conhecerá a intensidade dela. 
Guiado pelas emoções perdemos completamente o sentido. Perdemos a linha, perdemos o trem, perdemos a noção do perigo. Contudo, quem nunca se deixou guiar por elas, as emoções, não sabe o prazer que esta adrenalina traz. Sem emoção sem perigo, sem frio na barriga, sem borboletas no estômago, sem história para contar, sem risco. 
Se emocionar é correr o risco. Viver é correr o risco. Correr o risco de errar, correr o risco de sofrer, correr o risco de perder, correr o risco de se estrepar. 
Para não correr o risco de sofrer, as pessoas evitam amar. Para não correr o risco de perder, outras evitam investir. E assim seguem sem sequer começar, sem se emocionar. 
A gente corre todos os riscos quando decide experimentar. E nada substitui a experiência. Provar a vida é muito mais que sentir o gosto das nossas atitudes. É dar sentido à nossa existência e consequentemente nutrir as nossas emoções. 
E se tem emoção, tem choro, tem riso, tem adrenalina, tem pulso, tem suor, tem reviravolta dentro de nós! 
É preciso correr o risco de ser nós mesmos, são poucos os que têm essa coragem! É preciso deixar a emoção fluir e correr o risco de chorar ou sorrir. E se o papel não couber seus sentimentos, use-o para secar as lágrimas da sua alegria. Não há nada melhor do que um choro de felicidade! 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da Internet

Olá pessoal,

Não sei funcionar no meio termo, na zona morna da vida. Sou das “intensas”. Choro de alegria, choro de tristeza e choro bastante de emoção. Choro um choro bom e isso me faz muito bem! Nada contra quem consegue segurar a onda, eu não consigo. 
E sobre correr o risco, quem escolhe correr o risco prova o doce e o amargo das consequências. Eu já provei dos dois e sigo querendo conhecer os sabores. 
O voo de parapente até agora foi o meu risco favorito. Valeu cada minuto de adrenalina!

Grande abraço

Leila Rodrigues


sábado, 16 de setembro de 2017

Amigos-riso



Rir de si mesmo é uma das maiores qualidades do ser humano. Pessoas que sabem rir de si são, geralmente, as melhores companhias. São pessoas despretensiosas, leves e de riso acolhedor. Elas são engraçadas, divertidas e perto delas ninguém fica triste. 
Sem elas os velórios, as excursões e as reuniões de condomínio não seriam as mesmas. Enquanto riem de si, elas não têm tempo de rir dos outros. E se o fazem, é sempre de um jeito carinhoso e não sarcástico. 
Elas riem dos seus tombos, sem desmerecer o levantar. Elas riem de suas mancadas por entenderem que o mundo não pára pelos seus problemas. Elas riem quando não conseguem, enquanto ganham forças para tentar outra vez. Elas declaram seus mal feitos com a mesma leveza que compram um pão na esquina. 
Elas estão longe de serem santas ou de serem completamente boas. Elas são pessoas comuns, que choram de vez em quando, que sentem raiva, medo, ciúme ou cansaço como qualquer mortal.  Elas tem apenas um diferencial sobre as outras pessoas, elas enxergam graça onde os outros enxergam desgraça. Simples assim! 
Não é tão difícil contar que o sapato está machucando, que caiu no meio do salão lotado de gente ou que passou parte do jantar com uma couve no dente. Mas para essas pessoas tudo fica tão simples e engraçado que queremos ouvir de novo só pelo prazer de vê-los contar. Elas transformam tudo em humor! Elas contam que foram traídas pelo parceiro, que faliram, que se ferraram em alguma coisa. Elas não têm medo do fracasso. Pelo contrário, elas lidam com ele de tal forma, que parece pequeno. Suas vidas são recheadas de casos. Cada dia com elas é uma aventura, um acontecimento. Diversão garantida! 
Toda repartição pública deveria, por lei, ter uma pessoa capaz de rir de si lá dentro. Toda fila, toda reunião chata e todo posto de saúde também! Seria um bom investimento!
Na correria dos nossos dias não cabe humor. Tarefa para entregar, meta para bater, prazos para cumprir. É trabalho! E não se brinca de trabalhar! É tenso, exaustivo e desafiador! E são essas pessoas, capazes de rir de si, os oásis dos nossos dias áridos, pois elas têm o dom de melhorar o ambiente ao seu redor. 
É para elas que ligamos quando queremos esquecer tudo. É com elas que queremos ficar quando a loucura do trabalho termina. E é para os braços delas que corremos quando o coração se cansa deste mundo cinza em que vivemos! 


Leila Rodrigues

Imagem da internet
Publicado no Jornal Agora e no JC Arcos

Olá pessoal,

eu tenho a honra de ter alguns amigos-riso, é assim que eu carinhosamente os chamo. Eles são de fato oásis nos meus dias áridos. Com eles até uma caminhada na Rua Pintangui vira uma aventura, não é mesmo Nadia Alli? Ou um velório vira uma roda de piada não é Amnys Rachid? Enfim, eles fazem a nossa história mais divertida. A todas as pessoas que vivem a verdadeira arte do riso, a minha admiração e o  meu carinho. E àqueles amigos-riso que passam pelo meu caminho, o meu amor amigo.

Grande abraço



Leila Rodrigues

sábado, 9 de setembro de 2017

Qualidade de vida



Qualidade de vida é um dos itens mais desejados pelo ser humano atualmente. O planeta inteiro quer qualidade de vida. O homem busca mais qualidade de vida. Porém, qualidade de vida é algo muito relativo. Quando se é jovem, qualidade de vida é não perder nenhuma balada, ter o corpo sarado, viajar, correr o mundo, praticar em grande escala atividade sexual, fazer as melhores selfies e o ter todos os likes. 
Passada esta temporada, a pessoa entra na fase da construção. É quando fazemos de tudo para chegarmos a algum lugar. Lugar este que às vezes não sabemos qual é, mas lutamos mesmo assim. A fase do Superman e da Mulher-Maravilha. Neste momento qualidade de vida é dar conta do trabalho, da faculdade, do inglês, da atividade física, de ler todos os livros, assistir todas as palestras, entender do mundo digital, animal, ambiental, musical, cultural e, claro, do mundo dos negócios. Ufa! Só de pensar já fiquei cansada! É comum também nesta fase a constituição da família e a chegada dos filhos. Tudo junto e misturado. E a qualidade de vida afogada no meio de tudo limitada a algumas folhas de alface na refeição e atividade física duas vezes por semana. Cada um com seu conceito.
Isso gera cansaço e apatia. Onde está mesmo a qualidade de vida depois de tanta construção? Neste momento a pessoa se questiona se valeu realmente a pena tanto esforço. 
Aí sim, depois de ver destroçado o conceito de qualidade é hora de pensar de verdade em qualidade de vida. Conforto e sossego se tornam vitais. Nesta hora a pessoa faz uma lista de tudo que ela sempre teve vontade de fazer e nunca priorizou. Afinal, na lista de prioridades só havia lugar para a razão. A lista do coração era classificada como supérfluo. 
Natação, yoga, tai-chi-chuan, descer uma cachoeira em um caiaque, voar de parapente, escrever um livro, comprar um sítio, praticar snowboard, cantar no coral, tocar bateria, falar francês, dançar flamenca, viver. 
Agora o problema é outro, o dia ficou pequeno para tantos sonhos. Uma vez que a razão já cumpriu seu papel, qualidade de vida significa então  atender os desejos do coração. 
E haja coração! Aliás haja coração, haja pressão arterial, haja colesterol, haja Gama GT, haja fôlego e sobretudo haja alegria de viver. Afinal, sem saúde e disposição os sonhos voltam cabisbaixos para a gaveta... E a velha mobília que os comporte. 

Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da internet - gosto muito dessa imagem, a tenho no meu celular há muito tempo, gosto de contemplá-la quando a situação não me permite meditar, ou seja, medito através dela.

Olá pessoal,

eu confesso que já tive que engolir a palavra qualidade em função das construções de minha vida muitas vezes. O fiz em sã consciência! Reconheço que o foco no trabalho, na meta, no resultado me desfocou de mim. 
Um dia o cansaço bateu e a saúde cobrou a conta! Óbvio!
Hoje continuo atrás de resultado e de meta, mas na conta do meu resultado estão também a minha saúde, a minha família e a minha satisfação. Tenho me sentido mais leve depois dessa decisão. 
Tenho feito coisas que gosto e me permitido parar. E, inexplicavelmente, hoje dou conta de muito mais desafios! 
A vida é assim mesmo, surpreendente!
E você? O que é qualidade de vida para você? Em qual momento você está em relação à qualidade de vida? 
Conta aí nos comentários, vamos esticar o assunto!

Grande abraço

P.S.—> agradeço a todos pelas visitas ao último texto Envelhescência que teve mais de 5000 leitores. Muito obrigada a todos vocês, por doarem o tempo de vocês para ouvirem as minhas Palavras!!! 

Leila Rodrigues

sábado, 2 de setembro de 2017

Envelhescência



Se você já passou dos 45 ou está próximo disso este texto é para você! Se ainda não passou fique atento, porque um dia você vai chegar lá! Esta frase é do escritor Mário Prata e foi a primeira vez que eu ouvi a palavra envelhescencia. 
Pois bem, a esta altura você já teve uma trajetória profissional, já construiu seu legado e já constituiu sua família. Provavelmente você já viveu seus relacionamentos afetivos, já fez suas escolhas e viveu suas consequências. Para alguns os filhos já se foram e agora experimentam a chegada dos netos. E ainda tem aqueles que decidiram ser pais mais tarde e estão enfrentando a adolescência dos filhos. 
Alguns já se aposentaram ou estão próximos disso. Esses estão convivendo com o vazio dos dias. E para a grande maioria os pais já se tornaram filhos e necessitam de cuidados. Com toda certeza você já enfrentou um leão na jaula. Faz parte!
Mas o que nos incomoda nesta fase da vida é que há um vazio. E lém do vazio, surgem questionamentos sem respostas. Você começa a se perguntar: Mas e aí? A felicidade é isso? Eu construí, construí para chegar até aqui e parar de repente? E aquele meu sonho que eu passei a vida inteira esperando para realizar, vai morrer na praia? 
Se o brasileiro tem uma expectativa de viver até os 90 anos. Então ainda nos restam muitos anos!!! O que é que nós vamos fazer com esses anos todos? Vamos parar? Então esse é o começo do fim? Esse é o marco zero da velhice? 
Bem vindo à envelhescência! A adolescência reversa entre a maturidade e a velhice. Afinal de contas, ninguém fica  velho da noite para o dia! 
O envelhescente é esta pessoa que tem uma bagagem incrível, tem a cabeça cheia de projetos e a mente abarrotada de sonhos para serem vividos. Ele quer qualidade de vida, quer participar ativamente da sociedade que vive, quer competir no mercado de trabalho e de quebra se divertir, fazer o que gosta, viver a plenitude dos seus dias!
Você ainda vai ouvir falar muito nele! Ele sabe o que quer e tem a sua opinião formada sobre tudo! Ele está muito mais interessado em se divertir do que na última coleção. Ele prefere os seus poucos e bons amigos do que a multidão. Ele sabe alguma coisa que só a maturidade ensinou! Ele veio para ficar! E vai mudar para sempre o conceito de velhice!

Leila Rodrigues


Imagem da internet
Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos


Olá pessoal,

É com muita alegria que apresento o texto Envelhescência para vocês! Não estou chamando ninguém de velho, muito pelo contrário, o envelhescente é uma pessoa amadurecida pela experiência e renovado pela vida. 
Eu sou uma envelhescente, com muito orgulho! Cheia de sonhos, de projetos e de alegria de viver!
Sabe aquelas frases que a vida inteira nós passamos dizendo: “Um dia ainda faço isso!”, “Um dia eu mudo esse negócio!”, “Um dia ainda vou viver do meu jeito!”…. Esse dia chegou! E não tem alegria maior que essa!

Que venha a envelhescência! Eu adolescente de novo!!!!

Grande abraço


Leila Rodrigues

sábado, 12 de agosto de 2017

Nostalgia


Eu sempre acreditei que a morte é uma passagem para um outro plano, outra dimensão. Mas sempre que morre alguém querido, que um dia fez parte da nossa convivência é inevitável a saudade, a dor e a lembrança. Não importa se a pessoa se foi de repente, em um acidente ou se lutou bravamente contra alguma doença. Não importa se era jovem ou velho e também não importa a sua crença religiosa ou se você acredita em vida do lado de lá. A morte sempre vai nos trazer à realidade e nos fazer pensar. 
Nesta semana a morte do Charles me fez viajar no tempo. Impossível lembrar do Charles e não lembrar aquele sorriso debochado, aquele rosto sempre alegre, como quem quisesse desafiar a lei da tristeza. Impossível lembrar do Charles sem lembrar do Tei, sempre educado, divertido e desejado por todas as meninas da nossa geração. Impossível lembrar do Charles e do Bruno (Tei) sem lembrar do Chiquito, da Vera, do Patrik enfim dessa família inteira que se foi aos poucos como se seguissem todos o mesmo caminho para algum lugar combinado. É como um cordão umbilical que não se cortou mas serviu de laço para levá-los todos a um encontro do lado de lá, puxados pela mãe. 
É fácil imaginar que eles agora estejam juntos e comemorando a seu modo em algum lugar. Tomara que sim! 
É impossível lembrar desta família sem lembrar dos anos 80, da boate do clube, da fanfarra do estadual, da lagoa, das coisas que vivemos juntos naquele tempo que foi só nosso. 
É! Hoje somos história! A nossa Arcos tão aconchegante e gostosa cresceu. Tantas outras pessoas chegaram e fizeram crescer a nossa pequena cidade. Tanta coisa mudou por aqui e o Estadual não é mais aquele único colégio da cidade. 
Muitos de nós se foram como eu e hoje estão espalhados por aí criando suas famílias e contando suas histórias para as próximas gerações. Alguns se foram para bem longe, outros para outra dimensão. E o que fica é a nostalgia de um tempo bom. Um tempo em que fomos ingênuos e felizes. 
A modernidade traz conforto, traz opções e possibilidades, mas só a história traz o sentimento de pertencimento, emoção de verdade. 
Sempre haverá a história para nos lembrar nossas raízes. Para nos lembrar que um dia pertencemos a um grupo, um bando, a algum lugar a uma geração. 
Era uma vez uma família linda! O pai, a mãe e seus três filhos, três príncipes…

Leila Rodrigues

Publicado no JC Arcos em 12/08/2017
Imagem da Internet


Olá pessoal,

Existem coisas que não têm explicação. A morte é uma delas. Ficam os bons momentos, as histórias que vivemos, desde as mínimas e simples até as mais longas e intensas e uma grande saudade. 
Tudo vira história! O que fomos, o que fizemos, o que sonhamos ser. Tudo um dia vira história! E a vida? A vida acaba sendo uma grande lição.
Sigamos pois, que enquanto estivermos aqui, a história é por nossa conta.

Grande abraço

Leila Rodrigues


domingo, 30 de julho de 2017

A matemática moderna



Me formei em matemática por prazer, os números sempre me interessaram. Porém, durante toda a minha vida acadêmica, nutri um amor secreto pelas palavras e acabei me rendendo a elas quando resolvi escrever a minha primeira crônica. Impossível não se apaixonar por um bom livro! 
Acho genial a matemática moderna. É incrível como os números tentam o tempo todo surpreender os desejos do homem! Incansavelmente! Quanto mais megapixel, melhor a imagem. E haja megapixel para a exigência humana! Quanto mais megabytes, mais performance. Quanto mais potência, mais velocidade. Carros 4x4, tração nas 4 rodas. RPMs, HPs, cilindros, cavalos e tudo que há de mais moderno para que o carro vá de zero a 200 kms em milésimos de segundos, mesmo sabendo que a velocidade máxima é 110 km/hora. Bacana isso!!! 
Quanto menos calorias, mais caro. Zero glúten, zero lactose e zero açúcar é atualmente o trio mais que perfeito da matemática da dieta! Cortam-se as calorias, subtraem as alegrias, noves fora para as escapadas noturnas à geladeira e aí estamos nós em cima da balança outra vez e fazendo qualquer sacrifício para entrar no modelo 36. Olha os números aí de novo!
No mundo corporativo, corte de custo, corte de pessoas, corte de projetos, corte de tudo que se planejou até aqui, para encaixar na nova matemática do país. E lá vamos nós, remando, correndo, atropelando tudo para conseguir os números sagrados da távola da meta. "Hai que endurecerse pero sin perder la meta jamás!” Ó céus! Até Che Guevara foi plagiado! O mundo acabou de ser dividido entre os que batem e os que não batem meta. 
Soma, subtrai, divide, multiplica. É conta que não acaba mais. Todos os dias fazemos contas, o tempo todo fazemos contas. E pensar que quando  aprendemos a tabuada lá na infância não entendíamos muito bem o porquê daquilo! É a matemática movendo o mundo, traçando as estatísticas, apresentando os fatos! E o bicho homem continua triste, continua estatisticamente deprimido, suicida e perdido. Continua desejando o próximo lançamento! 
Até que finalmente ele recorre às palavras, lê um bom livro, assiste um filme, uma palestra, houve uma boa música. Ou quem sabe faz uma viagem e se encanta pela geografia maravilhosa da natureza ao seu redor. Pode ser que ele resolva cultivar uma planta e então cai de amores pela biologia ao perceber que há vida nos brotos mais singelos. Ele olha ao seu redor e conta nos dedos como são poucos os amigos de verdade. Aí sim, ele percebe que a melhor matemática é aquela que consegue multiplicar suas emoções! 
Nem só de performance vive o homen! Tem dias que não são de fazer conta. Bom mesmo é viver!


Leila Rodrigues

Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da internet


Olá pessoal,

Não há como negar que a matemática move o mundo. A matemática da performance, dos negócios e da competição. É fato! Tudo exato, preciso e medido.
Mas é preciso que nos rendamos ao humano de vez em quando para abastecer nossos corações  cansados e insatisfeitos com os números que nunca bastam. 
Que a saldo das nossas alegrias seja maior que a soma dos nossos esforços!

Grande abraço


Leila Rodrigues

domingo, 23 de julho de 2017

O sucesso e a sorte



A rede social agora é palco da alta performance. Lugar onde muitos usam para provar que são bons, muito bons, ultra, mega, power, blaster bem-sucedidos, bem-resolvidos, bem-qualquer coisa. Não basta ter um avatar, tem que ter um avatar foda, fantástico e fodástico. Palavra nova essa?! 
São personagens perfeitos, irretocáveis, que estão sempre sorrindo e gozando da mais plena felicidade. Eles se vestem bem, comem bem, se exercitam, se cuidam e  usam e abusam da palavra gratidão. São todos bem sucedidos, se dizem bem resolvidos e parecem viver um extraordinário caso de amor consigo mesmos. Geralmente não se cansam de falar do último curso que fizeram e do quanto são bons. São os Narcisos modernos que habitam um pseudo-lugar dos deuses da competência. Como se o resto do mundo fosse incompetente  e vivesse em um patamar abaixo dos seus pés dourados. 
Cá para nós, isso existe? Isso é real? Parem de subestimar a inteligência alheia! Pessoas que precisam provar o tempo todo que são "fodas" precisam mesmo é de um psiquiatra. Pessoas irretocáveis são insuportáveis! 
E na prática a gente gosta é de gente, não de um cause ambulante de sucesso. Faz bem conviver com pessoas que acordam de mal humor de vez em quando, que escolhem o cardápio sem saber o que é, que sentem dor de barriga, dor de cabeça, insônia e têm dúvidas de vez em quando. Afinal quem nunca? 
É com essas pessoas que não carregam tantas certezas que queremos passar os bons momentos de nossas vidas! Pessoas despreocupadas de provar qualquer coisa ao outro. Porque pessoas verdadeiramente  bem-sucedidas nem tocam neste assunto com ninguém. Pessoas que realmente atingiram a alta performance não estão preocupadas em comparar o resto da humanidade consigo. Elas estão ocupadas demais vivendo, dando e recebendo atenção dos momentos presentes. Elas gostam do que fazem, fazem com prazer mas não são escravas do aplauso alheio. Elas geralmente acordam cedo, trabalham duro, choram de vez em quando, sentem medo e tem um extraordinário respeito pelo próximo. Estes sim, são os nossos verdadeiros ícones e eles dispensam holofotes. Eles são ocupados demais para isso. Há quem diga que eles tiveram muita sorte. Pode ser que sim. Eu sempre digo que a sorte adora gente que acorda cedo. A sorte é altamente seletiva!


Leila Rodrigues


Publicado no Jornal Agora Divinópolis e no JC Arcos
Imagem da Internet


Olá pessoal,

eu entendo e concordo com a música “chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor”. Mas convenhamos, a super-auto-valorização tem tomado conta das pessoas. E eu realmente ando cansada dessa gente que só pensa em mostrar o seu valor.
Narcizo não faz meu tipo. Nunca fez!
Quem é bom faz! E deixa que as pessoas tirem suas próprias conclusões. Simples assim.
Sem mais delongas por hoje, deixo um abraço e um muito obrigada pelo seu tempo aqui no Palavras. Com tantas opções a seu dispor, você escolheu passar por aqui. Obrigada! É por você que eu escrevo.

Grande abraço


Leila Rodrigues



sábado, 15 de julho de 2017

Sobre eu e eles




Sobre eu e eles




Eu cresci no meio deles. Os homens! Tive a honra de ser criada entre eles, meus três irmãos e meu pai. E talvez por isso o meu apreço por eles seja tão grande. Profissionalmente escolhi uma área onde também prevalece o sexo masculino, tecnologia. E embora o nosso time feminino seja bastante unido, no meu trabalho convivo mais com homens que com mulheres pois os rapazes são maioria. E para me deixar Phd na convivência com eles, em casa convivo com os três homens da minha vida, meu marido e meus dois filhos. Fora os amigos que são muitos.
Nunca me senti concorrente dos homens e muito menos subalterna deles. Foi com vocês meninos que aprendi a ser prática, direta e resolvida. Com vocês aprendi a gostar de futebol, de rock e de torresmo (minha perdição). Por causa de vocês sei jogar bolinha de gude, ando em dia com as notícias do Brasileirão e sei comprar as melhores e mais confortáveis camisas masculinas. 
Gosto da mistura, acho que o mundo é bom porque tem os dois, porque tem diversidade. E embora às vezes eu fique indignada pelos homens que ainda precisam usufruir da força e da violência (física ou verbal) para vencerem suas fraquezas em relação às mulheres, eu ainda prefiro acreditar que no mundo haja mais homens bons que ruins. 
Hoje no dia do homem gostaria de parabenizar a todos os meus amigos homens. Amigos, irmãos, pai, sogro, marido, colegas de trabalho, amigos de muitos anos, amigos que se tornaram virtuais, amigos de outras vidas, amigos pra qualquer hora.
Não poderia deixar de falar dos meus amigos gays. Meus queridos, sei o quanto vocês foram homens para enfrentar os desafios e assumirem suas escolhas. E por isso admiro-os ainda mais. 
Não acho que homens e mulheres precisem de um dia pra serem chamados de importantes, mas já que o mercado, necessitado de comemorações o fez, o meu abraço e a minha eterna admiração por vocês!
Que a cada dia vocês descubram o prazer de serem vocês mesmos, com suas escolhas e desafios. Que percam cada vez mais o medo de chorar e a vergonha de sentir. E que se permitam ser ajudados, embalados, acalentados e por que não dizer, governados, liderados e orientados por nós mulheres de vez em quando. Afinal, só a mistura nos faz crescer! Feliz dia do homen! Feliz homen! Feliz dia!

Grande abraço


Leila Rodrigues

Imagem: acervo pessoal, eu e meu pequeno Gustavo